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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Natal: a Festa do Amor ou do Consumismo?


INTRODUÇÃO
Quem é a figura central do Natal? Esta é uma pergunta muito importante, não apenas para nós, mas também para os nossos filhos. Quais são os valores e os princípios que temos vivido e que temos ensinado para as nossas crianças? Há duas figuras centrais que são lembradas no Natal, que tanto expressam quanto denunciam quais são nossos valores: Jesus Cristo e o Papai Noel.

1) Jesus Cristo: o Natal como expressão de amor
Qual o sentido do Natal quando a sua figura central é Jesus Cristo?
Na verdade, o Natal é simplesmente a celebração do nascimento de Jesus. Mas qual é o sentido do nascimento de Jesus, segundo a fé cristã, tal como afirmada no Novo Testamento?
A fé cristã afirma que Deus é o Criador do universo. A doutrina cristã sobre Deus é a doutrina da Santíssima Trindade: O Deus único e verdadeiro é Pai, Filho e Espírito Santo. Como diria Agostinho de Hipona, Deus é amor, pois é o Amante (Pai), o Amado (Filho) e o Amor (Espírito Santo). Deus é amor, mas apesar de não precisar de mais nada, pois Ele é pleno no amor e na comunhão de si mesmo na Trindade (entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo), Deus criou o universo por uma razão: para amar algo além de si mesmo. O amor de Deus o move para criar o universo todo e, de forma especial, o ser humano, criado à sua imagem e semelhança. Deus cria o ser humano para um relacionamento livre de amor, mas, para que o ser humano fosse de fato livre, Deus o cria com capacidade para escolher entre o bem e o mal. Segundo a Bíblia, no Éden, o ser humano resolve dar ouvidos à voz da serpente e não à voz de Deus. O pecado, esta atitude de desprezo por Deus e sua palavra, alcançou todas as pessoas, de modo que Paulo vai afirmar: "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3.23).
O pecado leva o ser humano à uma crise profunda: crise teológica (relação com Deus), crise psicológica (relação consigo mesmo), crise sociológica (relação com o próximo) e crise ecológica (relação com o restante da criação).
Mas onde é que entra Jesus? Jesus é o Filho de Deus, por meio de quem todas as coisas foram criadas (Jo 1.1-3). O Filho de Deus veio ao mundo, assumiu a nossa humanidade, nasceu de uma virgem pelo poder do Espírito Santo, para nos reconciliar Deus. É o que diz um dos textos mais conhecidos da Bíblia:
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que jugasse o mundo mas para que o mundo fosse salvo por ele" (João 3.16).
Este é o sentido do Natal:  o amor de Deus por toda a sua criação, em especial pelo ser humano, criado à sua imagem e semelhança. O amor que leva a Deus Pai a enviar o Seu Filho para reconciliar consigo o mundo. O amor que leva a Deus Filho a se entregar a si mesmo por nós, por amor. O amor de Deus, o Espírito, que é o poder tanto da encarnação do Filho de Deus (nascimento de Jesus) quanto o poder de sua vida de amor e serviço, sua morte na cruz pelos nossos pecados e o poder da ressurreição de Jesus.
Quando cremos que Jesus é o sentido do Natal, afirmamos que o nosso valor não está naquilo que nós temos, mas sim no amor: no amor de Deus por todos nós, no amor que aprendemos com Deus para podermos amar a si próprios, ao próximo e a criação de Deus (1Jo 4.7-21).
Como diriam os anjos aos pastores:
"Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos servirá de sinal: encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura.. E subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem" (Lc 2.10-14).
Quando o Natal é Jesus Cristo, é festa de amor, de alegria, de reconciliação!

2) Papai Noel: o Natal como consumismo
Qual o sentido do Natal, quando sua figura central é o Papai Noel? Atualmente o sentido básico é o consumismo, mas não foi sempre assim. Na verdade, o "bom velhinho era nada mais, nada menos que um cristão, cuja fé em Cristo o inspirava à generosidade. No entanto, com o tempo, foi transformado num garoto propaganda que incita ao consumismo. Vamos acompanhar esta história.
Nicolau foi arcebispo na Turquia do século IV, sendo conhecido posteriormente como "São Nicolau Taumaturgo". Diz uma tradição que Nicolau deu um saco de moedas a um pai que estava a ponto de vender a própria filha para saudar uma dívida, salvando assim a jovem.  Outra tradição afirma que Nicolau ajudava os pobres da cidade de Mira, colocando moedas de ouro nas chaminés das casas. A partir destas tradições, surge a figura do "bom velhinho", que usava, na verdade, roupas de bispo: ao invés da toca na cabeça, Nicolau usava uma mitra episcopal. Alguns séculos depois de sua morte, Nicolau é canonizado pela Igreja Católica Romana.
Na Alemanha, "São Nicolau" se transforma em símbolo natalino.
No ano de 1822 Clark Moore, um professor de literatura grega da cidade de Nova York, escreveu um poema chamado "Uma visita de São Nicolau", no qual cria alguns elementos que se popularizarão posteriormente em relação ao Papai Noel, tais como o trenó puxado por renas e a entrada pelas chaminés.
Mas quem deu ao Papai Noel outras características fundamentais foi o cartunista alemão Thomas Nast, enquanto vivia nos EUA. Thomas Nast escreveu em 1866 um encarte natalino colorido para a revista Harper´s Weekly chamado "Santa Claus and his works", no qual se encontra a figura de um velhinho gordinho chamado "Santa Claus" com longas barbas e cabelos brancos, e com uma roupa vermelha com um cinto branco. Neste encarte de Nast, outros elementos que se tornariam tradicionais na figura do "Papai Noel" já estão presentes, tais como o pinheiro decorado, a casa no Polo Norte, o livro do bem e do mal e o saco de presentes - além do trenó e da entrada pelas chaminés do poema de Clark Moore. Há vários registros de anúncios publicitários envolvendo o Papai Noel entre 1870 e 1928, para vender revistas, carros, carabinas, canetas, gramofones, creme de aveia, cigarros, pneus, lanternas, escovas de cabelo, presunto, café, meias, brinquedos, relógios, equipamentos elétricos, cobertores, combustíveis... Mas as peças publicitárias que popularizaram definitivamente a figura do Papai Noel foram os anúncios da Coca-Cola, a partir do ano de 1930.
Ou seja, enquanto Nicolau foi um cristão cuja generosidade era inspirada por Jesus Cristo, o Papai Noel (nome brasileiro) deixou há muito tempo sua ligação com o cristão Nicolau, surgindo no final do século XIX como um "garoto propaganda", cuja função é nada mais nada menos que vender produtos - ou seja, incentivar o consumismo. Mas o que é o consumismo?
 Consumismo é o apelo ao consumo de bens e produtos movido pelo significado simbólico destes bens, como aquilo que define a pessoa. Em outras palavras, no consumismo o que define o valor da pessoa são os bens e produtos que ela consome. É o verbo "ter" definindo o verbo "ser". Seu valor é definido por aquilo que você tem, por aquilo que você pode consumir ou simplesmente adquirir. Se você tem muito, você vale muito; se você tem pouco, vale pouco. O consumismo é profundamente destrutivo: é sinal e causa da crise ecológica, psicológica, social e teológica!
- Crise Ecológica: o consumismo leva as pessoas a consumirem cada vez mais produtos, mesmo que completamente supérfluos, o que leva gradualmente à exaustão dos recursos naturais, além do aumento da quantidade de lixo, que muitas vezes volta para a natureza.
- Crise Psicológica: ao invés de firmar a sua identidade naquilo que você é, esta identidade acaba se definindo por aquilo que você tem.
- Crise Sociológica: o que importa não é o amor, a compaixão, a partilha e a solidariedade, mas o consumismo egoísta.
- Crise Teológica: o Natal não é a celebração do amor de Deus, que vem em direção ao ser humano para trazer amor, reconciliação e paz, mas é a celebração do consumo!



CONCLUSÃO
É inevitável que nossos filhos entrem em contato com a figura simpática do bom velhinho. No entanto, não podemos esquecer de aproveitar todas as oportunidades para educar nossos filhos, transmitindo valores e princípios importantes. Neste sentido, devemos dar prioridade à mensagem de amor, alegria e paz que o verdadeiro Natal nos traz: O amor, a alegria e a paz vieram até nós, não através de badulaques ou cacarecos, mas através de uma criança, do Filho de Deus que veio ao mundo por amor. Jesus Cristo é o grande presente do Pai a todos nós.
Feliz Natal!
Que Deus abençoe a sua vida com muito amor, alegria e paz!

Fonte da imagem: http://felippeneri.blogspot.com.br/2011_12_01_archive.html

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